Aprenda a aprender — Learning Agility é a sua vantagem competitiva

Aprenda a aprender — Learning Agility é a sua vantagem competitiva

Por Camila Berteli

Publicado em 13 de junho de 2017

 

 

O mundo VUCA e as organizações exponenciais, você está pronto para atuar nos novos modelos de negócio?

As palavras “exponencial” e “VUCA” tem estado cada dia mais presente no mundo corporativo e não é à toa. Segundo um estudo da Dell tecnologia, globalmente empresas temem que os seus negócios se tornem obsoletos dentro dos próximos 3 a 5 anos devido à concorrência de startups digitais, ou não sabem como será o seu setor daqui a três anos.

O que poucos profissionais levam em conta é que este cenário de imprevisibilidade, ambiguidade e necessidade de mudança não será apenas privilégio das empresas, mas será, principalmente, a realidade dos profissionais. Tudo isso estará presente na carreira de todos que compõem as estruturas de uma organização tradicional.

Para iniciar esta reflexão, precisamos entender um pouco mais do que são as organizações exponenciais. O conceito vem da função exponencial, termo matemático que é caracterizado pelo crescimento muito rápido de um dado, de um cenário, de um resultado ou de um esforço, por isso é muito utilizada ciências correlacionadas com cálculos, como: Química, Biologia, Física, Engenharia, Astronomia, Economia, Geografia entre outras, quando é preciso demonstrar estas variações.

Baseado nesta referência os autores Salim Ismail, Michael S. Malone e Yuri Van Geest traduziram o conceito para o mundo corporativo e escreveram o livro “Organizações Exponenciais — por que elas são 10 vezes melhores, mais rápidas e mais baratas que a sua (e o que fazer a respeito) ” que, assim que publicado se tornou, rapidamente, um sucesso. No Brasil ele é distribuído pela HSM desde 2015 (um ano após seu lançamento nos EUA, em 2014) e já é leitura obrigatória para executivos de todos os níveis.

O conceito básico do livro é exatamente o mesmo da função: a capacidade de crescer e encolher conforme necessidade do negócio. As ExOs (Organizações exponenciais) podem manter apenas um pequeno grupo de funcionários e usar intensamente tecnologias avançadas e recursos externos conseguindo, com isso, mudanças rápidas e efetivas. A previsão do livro é que um grande número de setores e empresas dominantes hoje, inevitavelmente serão substituídas pelas organizações ExOs.

Todo este conceito está completamente ligado ao mundo VUCA, que é uma sigla utilizada para descrever a volatilidade (volatility), a incerteza (uncertainty), a complexidade (complexity) e a ambiguidade (ambiguity) nos ambientes e nas situações. VUCA em inglês, VICA em português, tem origem no vocabulário militar americano, e seu uso comum começou no final dos anos 1990 e foi, posteriormente, utilizado nas ideias de liderança estratégica que se aplicam em todas de organizações.

O conceito VUCA expressa a complexidade da nossa sociedade atual, devido à alta interdependência e a globalização, situações que antes tinham pouco impacto, mas que agora refletem em toda sociedade.

O que fica para nós é que o VUCA e as ExOs estão aqui para ficar. No entanto o que se vê no ambiente organizacional são profissionais que escolhem estar alheios a esta nova onda, que preferem atuar em empresas de menor risco, empresas que possuam ações diretivas, mandatos de cima para baixo, em hierarquias ultrapassadas, de informações mastigadas, em resumo uma organização que pouco demande dele um comportamento de protagonista. Esta postura em nada tem relação com performance, estes profissionais podem sim entregar acima do esperado e muito bem, porém em sua zona de conforto. O que nos chama atenção é que não se pode afirmar quanto tempo estas organizações irão durar, por isso se faz relevante refletir sobre as grandes mudanças que nos esperam.

 

Gráfico: Organizações exponenciais e o mundo VUCA – Inovação x Tempo

 

Eu tenho certeza que você chegou até aqui, deve estar pensando: “Este não sou eu”. Eu me preocupo com o meu desenvolvimento, peço feedback, faço cursos, e de fato, ao longo da última década, a maioria dos profissionais está familiarizado com o conceito de autodesenvolvimento. Eles entendem que precisam solicitar feedback e reconhecer como os outros o veem. Mas quando se trata da necessidade de aprendizagem, nossas avaliações de nós mesmos, o que sabemos e não sabemos, e das nossas habilidades podem ainda ser terrivelmente imprecisas.

Um estudo conduzido por David Dunning, psicólogo da Universidade de Cornell apontou que 94% dos professores universitários relataram que trabalhavam “acima da média”. Claramente, quase metade estava errada. Ao comparar a performance com outras universidades, havia um longo caminho a ser percorrido, mas esta postura diminuiu qualquer apetite para o desenvolvimento e aprendizagem, deixando-os estagnados. Apenas 6% dos entrevistados viu-se ter muito a aprender sobre ser um professor eficaz.

Ao tratarmos aqui o termo aprender, não estamos falando sobre a aprendizagem tradicional, aquela em que você se senta em uma sala de aula estruturada e um especialista te conta tudo que você precisa fazer. Estamos falando de Learning Agility (LA) — Agilidade de aprendizagem.

LA é a habilidade de aprender com a experiência, aplicar este conhecimento em situações novas e desconhecidas, garantindo um bom resultado. Esta habilidade é o indicador de que um profissional pode assumir posições de maior complexidade. O conceito começou a ser estudado na Universidade de Columbia e hoje é utilizado por consultorias tradicionais como Korn Ferry e CCL (Center for Creative Leadership) em todo o mundo.

De forma simples, possuir LA é resistir ao pré conceito para fazer coisas novas, empurrando-se para adquirir rapidamente diferentes capacidades enquanto executa seu trabalho. Isso exige uma vontade de experimentar e tornar-se um novato, de novo e de novo: uma noção extremamente desconfortável para a maioria de nós.

Ser um profissional com estas habilidades pode ser extremante natural para algumas pessoas e arrisco a dizer que, com certeza, você conhece alguém que é altamente capaz de se transformar. Para estes profissionais a mudança não é uma estrutura, é um hábito! Mas esta capacidade ainda não é privilégio da maioria.

A boa notícia é que, ainda que não tenhamos nascido com esta capacidade, ela pode ser adquirida. Com exposição, com situações adversas, com riscos e principalmente conhecendo o conjunto desejável de comportamentos para iniciar o processo de exposição, reconhecendo a complexidade e energia depositada neste processo e desenvolvê-lo em você mesmo.

A vida pode exigir de você, a qualquer momento, essa capacidade de forma dolorosa, e pessoas com LA se antecipam.

 

 

Tornar-se mais ágil para a aprendizagem e aprender a aprender o tempo inteiro irá ajudá-lo a lidar com as turbulências, com as mudanças e irá torná-lo mais consciente de como adaptar-se bem com o mundo VUCA e exponencial.

Para iniciar este processo de desenvolvimento, é importante conhecer as 5 esferas das agilidades:

Agilidade Mental: Encontram soluções para problemas complexos, fazendo conexões entre múltiplas variáveis, cenários diferentes. Mudam de opinião diante de novos argumentos ou informações. Assumem riscos e tomam decisões difíceis, não se deixam abater, possuem tolerância à ambiguidade. Normalmente é em cenários incertos que este profissional se sobressai.

Agilidade com Mudança: Lidam bem com situações novas, inesperadas e de mudanças. Provocam e lideram processos de mudança na organização e em sua área. Buscam os recursos necessários para promover a mudança. São pessoas resilientes, não se contentam com o “não”.

Agilidade com Pessoas: Possuem habilidade de trânsito entre os mais diversos níveis, pares e acima e se comunicam bem. Lidam com situações de conflito ou negociações, não evitam conversas difíceis.

Agilidade com Resultados: Lidam bem com crises e escassez de recursos (“tiram leite de pedra”). Constroem e inspiram times de alta performance. São questionadoras e críticas mas usam desta capacidade para propor melhores resultados. Buscam excelência em seus resultados, a régua é sempre alta.

Agilidade em autoconhecimento: Solicitam feedback e compreendem seus pontos fortes e fracos, estão em constante evolução, aumentando sempre a complexidade do que precisam ajustar. Aprendem com seus erros e acertos e mudam seu comportamento.

Claro que possuir todas as agilidades de forma completa não é uma tarefa simples, e na prática, são comportamentos de alta complexidade de desenvolvimento. Mas você pode começar com a agilidade que sustenta as demais, que é o autoconhecimento, pois sem ele você não saberá nem por onde começar.

Uma boa forma de reconhecer e medir onde você está em cada uma delas é buscando exemplos, fatos e dados, que evidenciem o comportamento, como: Agilidade com mudanças: Me dê um exemplo em que você foi o protagonista de uma mudança? Como você colocou em prática, quem você levou junto, quais recursos usou, quantos “nãos” você escutou, antes de conquistar a mudança? Se falta exemplos nas situações, provavelmente é um ponto de desenvolvimento.

O LA, cabe em qualquer profissão, área de atuação, seja você inserido em uma empresa ou empreendedor. Manter a postura de aprendiz é a chave. A aprendizagem é fundamental para o desenvolvimento da mudança como um hábito, e deve ser incorporado na cultura organizacional, nas equipes, nas startups. São competências comportamentais cada dia para relevantes para todos nós.

Uma vez que você iniciar esse processo, você começará a perceber o quão benéfico ele será para sua vida, e não apenas para o trabalho. Sendo um profissional com LA você contribui para uma organização mais flexível, mais adaptável, capaz de responder melhor à volatilidade do negócio e, portanto, mais competitiva diante de desafios sem precedentes. Os resultados podem ser até revolucionários.

A competitividade das organizações e de cada profissional cada vez mais está ligada a capacidade de se reinventar. Não espere ser engolido pela mudança, comece a ser o provocador dela e estará preparado para um futuro cada dia mais incerto.

Você está pronto para um mundo VUCA e exponencial? Se reconhece em alguma das agilidades? Ou precisa, desde já, começar a se desenvolver neste ponto? Se tiver dicas de como desenvolver cada uma das agilidades, comente! Em uma próxima reflexão trarei um pouco das ações possíveis de desenvolvimento em cada agilidade.

Para saber mais, seguem abaixo as fontes que me guiaram neste texto.

Até o próximo!!

https://www.ccl.org/

https://hbr.org/2015/06/improve-your-ability-to-learn

https://www.forbes.com/sites/kevincashman/2013/04/03/the-five-dimensions-of-learning-agile-leaders/#21f8e317457e

 

 

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/aprenda-aprender-learning-agility-%C3%A9-sua-vantagem-camila-berteli

Por Camila Berteli
Educação Corporativa, Recursos Humanos e Desenvolvimento Organizacional
Votorantim Siderurgia FIA – Fundação Instituto de Administração
São Paulo, São Paulo, Brasil
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