A construção e a desconstrução dos relacionamentos – Os dois lados da moeda

A construção e a desconstrução dos relacionamentos – Os dois lados da moeda

“Nós não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos”
Talmude

 

Durante a nossa vida nos relacionamos com várias pessoas em diferentes papéis, funções e áreas que atuamos, quer seja como pai ou mãe, filho ou filha, colega ou chefe de trabalho, círculo de amizade e etc. A qualidade dessas relações vai depender muito da forma como vemos o outro. A interpretação, ou visão de como é o outro é feita por nós a partir dos nossos conceitos adquiridos e pela construção do pensamento e, a partir daí fazemos julgamentos, análises e damos significados as coisas, pessoas e fatos.

O que é, a princípio, fácil e lógico de entender é na prática o motivo maior para muitos desentendimentos que podem gerar desde uma demissão no trabalho até o final das relações. Os mesmos conteúdos que moldam a nossa personalidade são os mesmos que nos fazem julgar e reagir, principalmente quando são apresentadas ideias ou bandeiras diferentes das que cultivamos ou defendemos. O Ego, esse defensor da personalidade, é o grande responsável por esses conflitos pois, defesas são preparadas para que o outro não nos influencie, invada ou “roube” nossa mente “colocando” através do convencimento, ideias dele – ou dela -, onde a nossa precisa sempre vencer!!!

Todos nós temos a fórmula para o sucesso das relações. Mentalmente traçamos um roteiro para, encontrando alguém “especial” possamos iniciar uma relação afetiva, duradoura que vai dar mais sentido, emoção e plenitude as nossas vidas.

E porque as relações acabam e se desfazem?

Dentro desse mundo de muitos estímulos com valores e ética comprometida todas as instituições estão abaladas e a família, quer seja tradicional ou com novos contornos e formatos, também não poderia deixar de estar. De acordo com dados do IBGE, o número de divórcios ao ano no Brasil cresceu 160% em 10 anos, de 130,5 mil, em 2004, para 341,1 mil o que é uma pena, pois isso só comprova a dificuldade das pessoas de construírem projetos de vida de forma conjunta.

Para além do controle das emoções, e das diversas fases, ou ciclos que vivemos sempre em busca de objetivos diferentes, é comum projetarmos no outro expectativas que são nossas e não da outra pessoa. O terapeuta junguiano Robert Johnson, autor da trilogia He, She e We, confirmando o pensamento do início do texto, afirma que projetamos no outro o ideal de homem ou mulher que queremos a partir da idealização do parceiro ou parceira que habita dentro de nós.

Nesse mundo de muitas defesas e muros, são poucos os que se permitem construir uma proposta de vida com o outro em que o novo seja redefinido, e construído, a partir do conteúdo de cada um, ou seja, a construção de uma terceira via em que ambos possam acabar ganhando e não serem submetidos ao poder controlador e direcionador um do outro que, em uma linha de auto-proteção vai de encontro a tudo que seja novo e, portanto, passa a ser algo assustador fazendo com que tanto a zona do conforto seja abalada, como a projeção do futuro idealizado também o seja.

Todo final de relação é sempre traumático, todo o processo de desgaste deixa forte marcas e preocupações, contudo, sempre é bom lembrar que em época de individualismos reforçados, toda desconstrução nunca é feita por uma pessoa só, por mais que se assumam as falhas individuais, tanto o encontro como também, o desencontro, sempre é feito de escolhas.

Apesar desses números negativos verificamos que muitos casais, ainda hoje, mantêm uma relação mais duradoura e, mais do que uma simples satisfação a sociedade como víamos nas relações do passado, esses mantêm uma relação mais pautada no diálogo, na transparência e na vontade de vencer os obstáculos conjuntamente. Mesmo sabendo que ninguém é obrigado a conviver é importante destacar que muitas vezes o balanço da relação conjugal, ao se abrir a porta das possibilidades aos novos estímulos externos, normalmente é feito apenas pela análise e valorização do passivo, pelos erros cometidos em épocas de pouca maturidade e de processo de aprendizado, já o ativo, ou seja, os bons momentos que foram vividos são normalmente esquecidos e descartados para que os motivos da separação se tornem ainda mais firmes.

Contudo, é importante lembrar que, caso o divórcio seja o único, último e inevitável caminho, que seja trilhado com muito respeito, pois mais do que bens a dividir, existe uma história e, em muitos casamentos existe também a divisão emocional do tempo e atenção aos filhos, e, muito longe de ser um argumento para manter a relação, até mesmo porque eles também sofrem com o a dificuldade de relacionamento dos pais, deve ser, sem dúvida, o maior motivo para que exista ainda mais cuidado na condução desse processo. Para o casal que se desfaz fica a possibilidade de reconstruir a vida de uma forma mais madura e mais pensada com alicerces mais sólidos fruto do aprendizado da relação que se finda, pois a vida e contínua e precisa avançar para que os acertos acabem sendo maiores que os erros.

Êxito na sua busca e lembre-se do cuidado com as pessoas com a qual você se relaciona. O amor, a compreensão, o diálogo franco na busca e construção de objetivos mais elevados, junto com a compaixão, sem deixar de cuidar da sua dignidade, sempre serão os melhores caminhos.

 

Amândio Barbosa

Ser humano, casado, pai de dois fillhos, Coach, professor universitário, palestrante e consultor empresarial, Economista e Administrador.
Tem como Missão, “Ser um ser humano mais completo e colaborativo, ajudando as pessoas a atingirem o seu potencial máximo através do senso de contribuição, maior satisfação e felicidade para assim, ajudar na construção de um mundo melhor.”

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